O processo de individuação
Tornarmo-nos quem somos
Para Jung, o objetivo mais profundo da vida psíquica não é a felicidade, a ausência de sofrimento, ou a adaptação bem-sucedida ao mundo, é tornar-se inteiro, ou seja, o processo gradual de nos tornarmos nós próprios, e a isso ele chamou de individuação. A individuação não pretende ser um processo de nos tornarmos diferentes do que somos, significa antes, tornarmo-nos mais conscientes do que já somos, incluindo as partes que ficaram fora do nosso ângulo de visão, os potenciais que nunca foram atualizados, as escolhas que fizemos por conformidade em vez de por autenticidade. É um processo de descoberta e não um processo de construção.
E este, não é um caminho linear, nem um processo particularmente confortável. Implica enfrentarmos aspetos de nós próprios que preferiríamos ignorar, implica revisitar histórias antigas com um novo olhar, implica, por vezes, desfazermos identidades que construímos com muito esforço, mas que já não nos servem, e implica também reconhecer que não fazemos este caminho sozinhos. A individuação acontece na relação, com os outros, com a cultura, com os conteúdos pertencentes ao inconsciente coletivo, que Jung descreveu como o fundo comum da experiência humana. Tornamo-nos mais nós próprios precisamente através do encontro com o outro.
A psicoterapia pode ser um espaço privilegiado para este processo. Não porque o terapeuta saiba o que o caminho deve parecer, mas porque oferece um acompanhamento atento enquanto cada pessoa o vai descobrindo. E porque, nesse encontro, algo acontece que nenhum dos dois produziria sozinho.