O que escondemos de nós próprios
Todos nós carregamos aspetos que preferimos manter longe da vista dos outros, aspetos dos quais nos envergonhamos, sejam pensamentos, preferências, gostos, e até traços de personalidade que fazemos os possíveis por ocultar, e nem sempre sabemos porquê. Carl Gustav Jung, chamou de sombra ao conjunto de características, impulsos e emoções que, ao longo da vida, aprendemos a negar, a esconder ou a considerar inaceitáveis.
O que acontece quando começamos a escutar-nos
Muitas pessoas chegam à terapia com uma questão concreta, um problema para resolver, querem perceber porque se sentem ansiosas, desmotivadas, ou porque uma relação não funciona, porque não conseguem avançar numa decisão que parece simples, ou ainda porque parece que estão sempre a viver uma e a mesma história.
O que vemos no outro
Há pessoas que nos irritam profundamente, de forma imediata, quase visceral, sem que consigamos explicar bem porquê. E há pessoas que admiramos com uma intensidade que vai além do que as suas qualidades justificariam. Estes dois movimentos têm mais em comum do que parece. Jung descreveu este mecanismo como projeção, ou seja, a tendência para atribuir ao outro características que são nossas, que pertencem aos nossos ideais não realizados.
O processo de individuação
Para Jung, o objetivo mais profundo da vida psíquica não é a felicidade, a ausência de sofrimento, ou a adaptação bem-sucedida ao mundo, é tornar-se inteiro, ou seja, o processo gradual de nos tornarmos nós próprios, e a isso ele chamou de individuação. A individuação não pretende ser um processo de nos tornarmos diferentes do que somos, significa antes, tornarmo-nos mais conscientes do que já somos
“Não tomar posse de seu plano de vida é deixar a sua existência ser um acidente.”
Irvin Yalom, Quando Nietzsche chorou